PERÍODO
DO FECHAMENTO DO CÂNON SAGRADO DO
ANTIGO TESTAMENTO
ATÉ OS
TEMPOS DO
NOVO TESTAMENTO
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ARTAXERXES
LONGIMANUS, rei da Pérsia, que no seu vigésimo ano comissionou Neemias para
reconstruir os muros de Jerusalém, quando morto, foi sucedido pelo seu filho
Dario Notus, após os curtos reinados de Xerxes o segundo e Sogdianus.
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423 a.C.
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No décimo
primeiro ano do reinado deste príncipe, morreu Eliasibe o sumo- sacerdote,
após ter cumprido o ofício sagrado por trinta e quatro ou quarenta anos; e
foi sucedido pelo seu filho Jeoiada, ou Joiada, o pai do mesmo Manassés que
Neemias forçou a retirar-se para Samaria, por causa da sua união com uma
esposa idólatra. Não se sabe quanto tempo Neemias viveu em Jerusalém após as
suas importantes reformas; mas depois da sua morte, Judá parece ter sido
adicionada ao distrito da Síria, e tornou-se totalmente sujeita ao governo
desta província.
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405 a.C.
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Dario Nothus
foi sucedido por Artaxerxes Mnemon; no trigésimo quarto ano do reinado deste,
Jesua, tendo sido designado pelo governo persa da Síria para substituir seu
irmão Joanã, ou Jônatas, que tinha sucedido seu irmão Joiada no sumo
sacerdócio, foi morto por ele no átrio interior do templo. Por causa desta atrocidade,
o governador impôs uma multa de cinqüenta dracmas sobre cada cordeiro que
seria oferecido em sacrifício; e a quantia total arrecadada foi calculada em
mais que 1700l. por ano. O pagamento desta multa, entretanto, continuou
apenas até a morte do rei Artaxerxes Mnemon, que ocorreu sete anos depois.
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359 a.C.
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Mas os judeus
não puderam desfrutar de um período de paz e prosperidade por muito tempo,
pois Ocus, que sucedeu Artaxerxes, tendo subjugado grande parte da Fenícia,
com a qual a Ásia Menor e a Síria tinha se revoltado na sua acensão ao trono,
marchou para Judá, tomou Jericó, e levou embora um grande número de cativos;
uma parte deles foi enviada para o Egito, e o resto foi estabelecido em
Hircânia, ao longo da costa do Mar Cáspio.
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341 a.C.
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Após um
intervalo de dez anos, morreu Joanã o sumo sacerdote, e foi sucedido pelo seu
filho Jadua. Aproximadamente três anos depois, o monarca persa foi
envenenado, e o filho mais novo do rei, Arsaces, ou Arses, foi colocado no
trono persa; mas, sendo também envenenado uns três anos depois, foi sucedido
pelo infeliz Dario Codomannus. Ele estava há pouco tempo no trono, quando o
infame Bagoas, percebendo que ele não o ajudaria em seu propósito, resolveu
removê-lo da mesma forma que destruiu os seus dois predecessores. Mas Dario,
sendo informado das suas intenções, fê-lo beber o próprio veneno, e assim
tornou-se firmemente estabelecido em seu reinado, sem outras dificuldades.
Neste período
movimentado, Alexandre o Grande, com a idade de vinte anos, sucedeu o trono
da Macedônia e foi designado general das forças gregas contra as forças
persas. Com um exército comparativamente pequeno, ele cruzou o Hellespont, e
passou para a Ásia; e tendo derrotado o imenso exército de Dario no rio
Granicus, rapidamente tornou-se mestre de toda a Ásia Menor.
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334 a.C.
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No ano
seguinte, Dario avançou contra ele com um exército de 600:000 homens; mas,
próximo a Issus, ele foi novamente derrotado por Alexandre. A batalha de
Issus foi seguida pela redução de toda Síria e Fenícia; e Alexandre marchou
para Judá, para punir os judeus por fornecer suprimentos de provisões aos
tiros, e recusá-los a ele, durante o cerco de Tiro. Enquanto ele avançava
rapidamente para a metrópole, o sumo sacerdote Jadua, bem como grande parte
do povo, humildemente suplicavam a Deus através de sacrifícios, oblações e
orações para que Deus impedisse o perigo ameaçador. Jadua foi comunicado
através de um sonho que deveria ir e encontrar o conquistador com suas roupas
pontifícias. Assim, diante de todos os sacerdotes com suas vestes apropriadas
e assistido por um grupo numeroso de pessoas vestidas de branco, ele ordenou
que os portões da cidade fossem deixados abertos, e marchou em procissão
solene para uma eminência chamada Safa, que comandava um prospecto do templo
e de toda a cidade. Logo que o rei aproximou-se do pontífice venerável, ele
foi atingido com profundo sentimento de temor diante do espetáculo, e
apressando-se adiante, saudou-o com uma veneração religiosa. Enquanto todos
permaneciam espantados com a sua atitude, Parmenio perguntou a razão de tal
homenagem inesperada; ao que Alexandre respondeu que não era oferecida ao
sacerdote, mas sim ao seu Deus, em reconhecimento agradecido por uma visão
com a qual ele tinha sido favorecido em Dio, na Macedônia; na qual esta mesma
pessoa, nesta mesma veste, apareceu a ele, prometendo-lhe o império de
Pérsia. Tendo bondosamente abraçado Jadua, ele entrou em Jerusalém e ofereceu
sacrifícios a Deus no templo; onde tendo o sumo sacerdote lhe mostrado as
profecias de Daniel, que prediziam a destruição do império Persa por um rei
grego, ele seguiu com grande certeza de sucesso, jamais duvidando que fosse a
pessoa mencionada nas profecias. Na sua partida, ele garantiu aos judeus o
livre exercício de sua religião e leis, e isenção do pagamento do tributo a
cada sétimo ano. Tendo o Egito rapidamente se submetido ao conquistador, no
ano seguinte ele marchou contra Dario; e na batalha decisiva em Arbela,
derrotou o seu imenso exército de 1:1000.000 homens; e Dario, sendo forçado a
fugir para salvar a sua vida, foi logo em seguida morto pela traição de
Bessus. Assim, conforme as profecias de Daniel, subverteu completamente o
império Persa e rapidamente estendeu suas conquistas do Eufrates ao Indus, e
do Mar Cáspio ao Oceano Meridional. Aproximadamente seis anos depois, quando
completou trinta e dois anos de idade e doze de reinado, morreu na Babilônia,
em conseqüência de bebida em excesso ou de envenenamento.
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323 a.C.
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Depois da
morte de Alexandre, seu império foi dividido entre os seus quatro generais
que haviam permanecido. Cassander ficou com Macedônia e Grécia; Lysimachus
ficou com Thrace, Bitínia, &c.; Seleucos Nicator ficou com a Síria,
Armênia e outros territórios orientais; e Ptolomeu Lagus ficou com o Egito, a
Líbia, &c. Na primeira repartição do império, a Palestina com a
Coele-Síria e a Fenícia, tinham sido dadas a Laomedon, um dos generais de
Alexandre; mas tendo sido despojado das duas últimas por Ptolomeu, os judeus,
sobre quem Onias filho de Jadua era então o sumo sacerdote, recusaram-se a
submeter-se a esse novo mestre, a partir do sentimento religioso do voto de
lealdade que tinham feito.
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320 a.C.
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Em
conseqüência disso, Ptolomeu marchou para Judá, tomou Jerusalém, e levou
100:000 deles cativos para o Egito; mas lá, considerando a sua lealdade para
com antigos conquistadores, ele tratou-os tão bondosamente, até mesmo
promovendo-os a cargos de confiança e poder, que muitos o seguiram
espontaneamente.
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314 a.C.
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Aproximadamente
seis anos depois, ele perdeu Judá, Coele-Síria, e Fenícia para Antígono; e
tendo se restabelecido como mestre destas províncias, imediatamente perdeu-as
novamente pela derrota de Cilles, um dos seus generais.
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312 a.C.
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Os territórios
continuaram na posse de Antigono até a sua derrota e morte na batalha de
Ipsus, pelas forças confederadas de Ptolomeu, Cassander, Lysimachus e
Seleuco; depois da qual os territórios foram designados a Ptolomeu junto com
o Egito, a Líbia e a Arábia.
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301 a.C.
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Algum tempo
depois da recuperação de Judá por Ptolomeu, morreu Simão o Justo, filho de
Onias, e sumo sacerdote dos judeus, no nono ano do seu pontificado; e foi
sucedido pelo seu irmão Eleazar.
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292 a.C.
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Ele foi
notável por sua sabedoria e virtudes; e acredita-se que tenha completado o
cânon sagrado do Antigo Testamento.
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284 a.C.
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Ptolomeu
Filadelfo sucedeu o seu pai assumindo o trono do Egito e os judeus tiveram
nele um generoso protetor como já tinham vivenciado com Ptolomeu Soter.
Durante o seu reinado foi feita a importante tradução do Antigo Testamento
para o Grego, mais tarde chamada de versão Septuaginta; cujo evento tinha a
intenção de disseminar o conhecimento e confirmar a autenticidade das
sagradas Escrituras, como nenhum outro ocorrido desde a sua conclusão até o
início da era Cristã.
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261 a.C.
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Antíoco Teos
sucedeu seu pai Antíoco Soter, filho de Seleuco, no trono da Síria e manteve
uma guerra longa e saguinária com Ptolomeu Filadelfo, até por fim concordarem
em terminá-la com um acordo de casamento no qual estava estipulado que
Antíoco se divorciaria de sua esposa Laodice, e casaria com Berenice, a filha
de Ptolomeu.
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249 a.C.
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Mas na morte
de Filadelfo, aproximadamente dois anos depois, Antíoco mandou embora
Berenice, e chamou de volta Laodice; que, com medo de outra mudança, fê-lo
ser envenenado, decepou Berenice, seu filho, e todos os seus servos egípcios,
e colocou seu próprio filho Callinicus no trono. Ptolomeu Euergetes, que
tinha sucedido seu pai no trono do Egito, em vingança pela morte da irmã,
matou Laodice, e dominou toda Síria e Cilícia. Callinicus, dois anos depois,
numa tentativa de recuperar o seu domínio de Ptolomeu, foi derrotado em
batalha; mas Ptolomeu, ouvindo que seu irmão Antíoco estava preparando-se
para juntar-se a Seleuco contra ele, chegou a um acordo com Callinicus; e a
paz foi estabelecida entre eles por dez anos.
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243 a.C.
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Os judeus
desta época eram submissos a Ptolomeu, e Judá foi taxada com o tributo anual
de vinte talentos. Não muito tempo depois, Antíoco o Grande, aproveitando-se
da ascensão do príncipe isolado Ptolomeu Filopator, tomou Coele-Síria.
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216 a.C.
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No ano
seguinte, Ptolomeu forçou Antíoco a retirar-se para Antioquia. Ptolomeu fez
então um progresso através da Síria; e chegando a Jerusalém, ofereceu vítimas
e deu muitos presentes de valor ao templo. Mas tendo sido impedido de entrar
no Santo dos Santos por Simão, o sumo sacerdote que sucedeu seu pai Onias
II., Ptolomeu partiu para o Egito cheio de raiva contra os judeus e privou-os
dos privilégios que desfrutavam e agiu com grande crueldade contra eles.
Ptolomeu estabeleceu a paz com Antíoco e morreu logo depois, exausto por
intemperança e conduta imoral, e foi sucedido por seu filho ainda pequeno
Ptolomeu Epifânio.
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204 a.C.
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Antíoco pensou
ser esta uma oportunidade favorável e entrou em aliança com Filipe, rei da
Mcedônia, para dividir os domínios do rei do Egito entre eles. Antíoco
marchou com um imenso exército para Coele-Síria e Palestina, e rapidamente
subjugou estas províncias. Logo depois, entretanto, os egípcios se
aproveitaram por Antíoco estar em guerra com Atalus, rei de Pérgamo, e
enviaram Scopas com um exército para a Palestina e Coele-Síria, onde ele
obteve tanto sucesso que tomou várias cidades e reduziu toda Judá, e colocou
uma guarnição em Jerusalém.
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199 a.C.
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Mas no ano
seguinte Antíoco marchou contra Scopas, e logo tornou-se mestre novamente de
toda Coele-Síria e Palestina. Entre outros, os judeus de boa vontade se
submeteram a ele; e prestaram a ele tais serviços essenciais, que ele ordenou
que a cidade fosse reparada, e aqueles que tinham sido dispersos deveriam
retornar e habitar nela; e, entre outros favores importantes, confirmou-lhes
todos os privilégios que tinham sido concedidos por Alexandre o Grande.
Depois disso, atento na guerra com os romanos, ele deu a sua filha Cleópatra
em casamento para Ptolomeu Epifânio, e como dote deu as províncias de
Coele-Síria e Palestina. Mas não muito tempo depois, na tentativa de Antíoco
de tomar o Egito, ele foi totalmente derrotado pelos romanos e condenado a
pagar 12:000 talentos para pagar os gastos da guerra.
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188 a.C.
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Coberto de
vergonha ele retirou-se para Antioquia e, estando incapaz de juntar o
dinheiro que havia estipulado pagar aos romanos, marchou para suas províncias
orientais para recolher tributo e juntar todo tesouro que pudesse. Na
tentativa de roubar o rico templo de Elymais, foi assaltado e morto pelos
habitantes do território.
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187 a.C.
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Antíoco foi
sucedido no trono sírio por seu filho Seleuco Filopator, que foi notável por
pouco mais do que levantar as taxas e pagar o tributo que os romanos tinham
exigido do seu pai. Com a informação de que grandes tesouros eram depositados
no templo, ele enviou homens para tomá-los; mas, quando estavam para entrar
no templo sagrado, os sírios foram tomados de temor e desistiram.
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176 a.C.
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Pouco tempo
depois Seleuco foi derrotado e seu irmão Antíoco, ouvindo a notícia da morte
do seu irmão e da tentativa de Heliodorus, o assassino dele, de usurpar o
trono; e sabendo que havia outro partido formado por Ptolomeu Filometor, rei
do Egito, e que ambos concordaram em “não dar a ele a honra do reino”, como o
profeta Daniel havia predito; ele apelou a Eumenes, rei de Pérgamo, e Atalus
seu irmão, e “com discursos de bajulação” e grandes promessas de amizade,
prevaleceu com eles para ajudá-lo contra Heliodorus. Tendo conseguido conter
o usurpador, ele foi silenciosamente colocado no trono e pacificamente obteve
o reino, como havia sido predito na mesma profecia. Com essa ascenção ao
trono ele tomou o nome de Epifânio
ou o Ilustre; mas sendo “uma pessoa
vil” em todos aspectos, como Daniel havia predito a respeito dele, ele foi
entitulado de Epimanes, ou o Louco. Ele mal sentou-se no trono quando, sendo
pressionado pelos romanos para levantar o seu duro tributo, entre outras
coisas depôs o bom e piedoso sumo sacerdote Onias, e vendeu o pontificado
para o seu irmão Jasão pela pequena soma de 360 talentos; mais tarde depôs
Jasão, e vendeu o pontificado ao seu irmão Menelau por 660 talentos.
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172 a.C.
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Enfurecido
porque os curadores do jovem Ptolomeu deviam ter exigido para o seu mestre as
províncias da Fenícia, Coele-Síria e Palestina, que tinham sido designadas
como o dote de Cleópatra, Antíocus marchou em direção às fronteiras do Egito,
e encontrando as forças de Ptolomeu próximas a Pelusium, eles entraram em
batalha da qual Antíoco obteve a vitória.
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171 a.C.
|
Mais tarde
derrotou os egípcios, tomou Pelusium, e subiu tão longe quanto Mênfis, e
fêz-se mestre de todo Egito, exceto Alexandria. O governador de Chipre
revoltou-se com Ptolomeu e devolveu uma importante ilha para Antíoco; o
efeminado monarca do Egito, tendo feito pouco pela defesa de si mesmo e dos
seus súditos, caiu nas mãos do conquistador. Enquanto Antíoco estava no
Egito, uma falsa notícia de sua morte foi espalhada, e Jasão marchou com mil
homens para recuperar o sumo sacerdócio, surpreendeu a cidade de Jerusalém,
levou Menelau para o castelo e cruelmente matou todos os que considerava seus
inimigos.
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170 a.C.
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Antíoco foi
informado destes eventos e, supondo que toda a nação judia tinha se
revoltado, apressou-se fora do Egito para reprimir a rebelião; e, sendo
informado de que os habitantes de Jerusalém tinham feito grandes festejos com
a notícia da sua morte, sentiu-se tão provocado que, enfurecido, matou 40 mil
pessoas, vendeu mais tantos como escravos, saqueou o ouro e os móveis do
templo numa quantia de 800 talentos de ouro, entrou no Santo dos Santos e
sacrificou uma porca do altar das ofertas queimadas e ordenou que o caldo
dela fosse espalhado por todo o templo. Então retornou para Antioquia,
carregado com os despojos de Egito e de Judá; e designou um Filipo, um homem
bárbaro e cruel como governador de Judá e continuou com Menelau no sumo
sacerdócio.
|
169 a.C.
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Antíoco ouviu
que os alexandrinos tinham colocado Physcon como rei em lugar de Filometor,
sob o pretexto de restaurar o rei deposto, e fez uma terceira expedição ao
Egito e marchou diretamente para Alexandria para cercar o lugar. Mas Antíoco
percebeu que a violenta guerra civil entre irmãos iria rapidamente
transformá-los em presa fácil para ele e, por isso, ele aparentemente
restaurou o reino a Filometor, com excesão somente de Pelusium, e retornou a
Antioquia. Suspeitando dos seus propósitos, entretanto, Filometor e Fiscon
concordaram em reinar unidos em paz, o que enfureceu de tal forma a Antíoco,
que ele novamente invadiu o Egito, devastou-o e subjugou-o até a distância de
Mênfis, e avançou para cercar Alexandria. Mas os embaixadores romanos
ordenaram que ele retirasse suas forças do Egito caso considerasse a amizade
do estado deles.
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168 a.C.
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Enlouquecido
de raiva com essa decepção, enquanto marchava de volta para a Palestina,
separou 20:000 homens do seu exército sob o comando de Apolonius com ordens
para destruir Jerusalém, matar todos os homens com a espada e tornar escravos
as mulheres e as crianças. Estas ordens foram rigorosamente seguidas num dia
de sábado, quando todo o povo estava reunido em culto público, de forma que
ninguém escapou a não ser uns poucos que conseguiram se esconder em cavernas
ou chegar até as montanhas em fuga. Depois de ter despojado a cidade de todas
as suas riquezas, eles colocaram fogo em diversos lugares, demoliram as casas
e derrubaram os muros ao redor delas; e então, com as ruínas, construíram uma
fortaleza em Acra, uma elevação de onde inspecionavam e comandavam o templo.
Depois que o monarca enfurecido retornou para Antioquia, ele emitiu um
decreto para obrigar todos os povos sob o seu domínio a conformarem-se à
religião dos gregos e enviou um Ateneu, um idolatrador grego, para iniciar os
judeus nos ritos idólatras e punir com as mortes mais cruéis aqueles que se
recusassem. Na sua chegada a Jerusalém, auxiliado pelos judeus apóstatas, ele
fez com que todos os sacrifícios ao Deus de Israel cessassem, reprimiu todas
as observâncias da religião judaica, corrompeu o templo e tornou-o impróprio
para a adoração a Deus, profanou os seus sábados e festivais, proibiu que os
seus filhos fossem circuncidados, queimou todas as cópias da lei que foram
encontradas, dedicou o templo a Jupiter Olimpus, erigiu a sua estátua no
altar das ofertas queimadas e matou todo aquele que foi encontrado agindo
contrariamente aos seus decretos.
Matatias,
bisneto de Hasmoneu, a partir de quem a família foi chamada de os asmoneus, retirou-se com seus cinco
filhos da perseguição em Jerusalém para o seu lugar de nascimento, na tribo
de Dã. Apelles, entretanto, um dos oficiais do rei, veio ao lugar onde eles
haviam se retirado, para forçar a execução das ordens do rei; e, tendo
reunido o povo, dirigiu-se a Matatias para persuadi-lo a abraçar a idolatria
prometendo-lhe grandes favores e riquezas. O bom sacerdote não só rejeitou
desdenhosamente essas coisas como matou o primeiro judeu que ousou
aproximar-se do altar idólatra; e então, rejeitando o comissário do rei, ele
o despachou com todos os seus atendentes, com a ajuda dos seus filhos e
daqueles que estavam com ele; e, colocando-se como cabeça da sua família e de
quantos judeus quantos pode juntar, quebrou os ídolos e altares gentios e
retirou-se para as montanhas. Muitos se reuniram a ele, que eram estritamente
adeptos da lei do seu Deus, e especialmente por aqueles denominados Asideans,
e, tendo reunido um grupo tal que tinha a aparência de um pequeno exército,
ele saiu do seu jejum e foi para o campo; e marchando ao redor das cidades de
Judá, derrubou os altares pagãos, restaurou a circuncisão, eliminou os apóstatas,
destruiu todos os perseguidores onde chegava e novamente restabeleceu a
verdadeira adoração a Deus em todos os lugares onde prevaleceu.
|
167 a.C.
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Mas Matatias,
exausto com sua idade avançada e fadiga, morreu no ano seguinte; o seu filho
Judas, de sobrenome Macabeu, de acordo com o desígnio do seu pai, sucedeu-o
no comando do exército. Judas, entretanto, suficientemente compensou-os pela
perda que tinham suportado pela morte do venerado sacerdote; por ter
sucessivamente derrotado os vários governadores e comandantes que apareceram
contra ele, recuperou o templo, reparou-o e purificou-o, restaurou a adoração
a Deus, fixou a festa da dedicação para ser celebrada anualmente e reparou
Jerusalém que quase tinha sido reduzida a um monte de ruínas.
|
165 a.C.
|
Nesta época,
Antíoco estava engajado em uma expedição contra os persas que, junto com os
armênios, tinham se revoltado contra ele. Quando retornou, ouvindo do sucesso
dos judeus com Judas e da derrota dos seus generais, ele ameaçou destruir
completamente toda a nação e a transformar Jerusalém no seu lugar de
sepultura. Mas enquanto estas palavras soberbas estavam na sua boca, os
juízos de Deus o pegaram de surpresa e ele foi atingido por uma doença
incurável, ficando tomado de tormentos dolorosos em suas entranhas e uma
úlcera intolerável que resultou na sua morte.
|
164 a.C.
|
Ele foi
sucedido no reinado pelo seu filho Antíoco Eupator, uma criança de nove anos
de idade, tendo Lísias, o governador da Síria, como seu tutor, que combinou
com os idumeus e outras nações vizinhas exterminar com a raça de Israel.
Judas, informado disso, saiu em guerra contra as nações inimigas e por alguns
anos provou-se um terrível flagelo para os idumeus, sírios e árabes e outras
nações pagãs até ser morto pelo general Demétrio Soter.
|
161 a.C.
|
Ele foi
sucedido no comando por seu irmão Jônatas que, junto com seu irmão Simão,
continuou a retificar com espantosa bravura e prudência as desordens tanto na
igreja como no estado; e Onias, o sumo sacerdote, estabeleceu-se no Egito
onde mais tarde construiu um templo para uso dos seus compatriotas e conforme
a forma usada em Jerusalém, eles oficiavam em Judá tanto como sumo-sacedotes e
governadores civis, durante o reinado de Alexander Balas e Demétrio Nicator.
|
144 a.C.
|
João Hircano
sucedeu o pontificado e o governo de Judá após Jônatas ter sido
traiçoeiramente morto pelo usurpador Trifão e Simão e seus filhos Judas e
Matatias terem sido mortos por Ptolomeu, genro de Simão.
|
135 a.C.
|
A princípio
ele foi forçado a estabelecer a paz com os sírios de forma desvantajosa; mas
com a ascensão de Demétrio Nicator, Hircano livrou-se do jugo da Síria e
manteve a sua independência durante as revoluções que se seguiram na Síria.
|
130 a.C.
|
Ele expandiu
as suas fronteiras tomando vários lugares na Síria, Fenícia e Arábia; tomou
Siquém e destruiu o templo no Monte Gerizim, estendeu as suas conquistas
sobre os idumeus a quem ele forçou a abraçarem a religião judaica;
|
129 a.C.
|
renovou a
aliança com os romanos que tinha sido feita pelo seu pai Simão, com a qual
ele obteve grandes privilégios e vantagens que a nação nunca tinha usufruído
antes;
|
128 a.C.
|
e, sob a
conduta dos seus filhos Aristóbulo e Antígono destruiu completamente Samaria.
|
109 a.C.
|
Depois disso
governou Judá, Samaria e Galiléia por dois anos. Ele morreu do décimo
terceiro ano de sua administração e deixou o sumo sacerdócio e a soberania
para seu filho mais velho Aristóbulo.
|
107 a.C.
|
Esse príncipe,
que foi o primeiro desde o cativeiro a usar a diadema e assumir o título de
rei, foi sucedido pelo seu irmão Alexandre Janeu após o curto reinado de um
ano. Alexandre subjugou os filisteus e obrigou-os a abraçar a religião judaica,
queimou Gaza, a capital deles;
|
97 a.C.
|
e também
conquistou os moabitas, amonitas e parte dos arábios e, depois de um reinado
de vinte e sete anos morreu de uma quartan ague, causada por intemperança,
enquanto sitiava Ragaba no território dos gerasenos.
|
79 a.C.
|
Depois da sua
morte a sua viúva Alexandra governou a nação com muita prudência por nove
anos;
|
70 a.C.
|
e quando ela
estava morrendo Aristóbulo, junto com multidões que odiavam os fariseus que
tinham sido como tiranos no reinado anterior, contenderam com Hircano, seu
irmão mais velho e indolente, pela coroa e pelo sumo sacerdócio e o
desapossaram depois de um reinado de apenas três meses. Aretas, rei da
Arábia, ajudou Hircano a cercar Aristóbulo no templo, mas Aristóbulo pediu a
ajuda dos romanos e foi obrigado a retirar as suas tropas.
|
65 a.C.
|
Entretanto,
como tinha apelado a Pompeu, o general romano, este decidiu em favor de
Hircano, tomou Jerusalém e o colocou no governo, apesar de não permitir que
ele usasse a diadema e fez com que Judá pagasse tributo a Roma.
|
63 a.C.
|
Pompeu, com
vários dos seus oficiais, também entrou no Santo dos Santos e depois disso
nunca mais prosperou. Pouco tempo depois, Crassus saqueou do templo cerca de
10:000 talentos de prata.
|
54 a.C.
|
Em seguida,
Antipater, um nobre mas astuto idumeu, por favor de Júlio César, (que tinha
prevalecido contra Pompeu), foi feito procurador de Judá e Hircano continuou
como sumo sacerdote.
|
47 a.C.
|
Depois da
morte de Antipater, seu filho, Herodes o Grande, com a ajuda de Antônio o
triúnviro romano, e com muita barbaridade e derramamento de sangue, conseguiu
a dignidade real;
|
40 a.C.
|
autoridade que
já havia sido confirmada por Augusto César.
|
30 a.C.
|
Ele manteve a
sua dignidade com grande habilidade mas com extrema crueldade na sua própria
família e com os outros até o
nascimento de Cristo. Neste
intervalo, construiu muitas cidades, e para conquistar os judeus, quase
reconstruiu o templo. Sua tentativa cruel de matar o menino Salvador foi
registrada pelo evangelista e, pouco tempo depois, morreu miseravelmente.
Depois de alguns anos, durante os quais os domínios de Herodes eram
governados pelos seus filhos, Judá tornou-se uma província romana, e o cetro se arredou de Judá, porque Siló
veio;
|
79 d.C.
|
e depois de
estar sob os procuradores romanos por alguns anos, todo o estado judeu ficou
subvertido por Tito, o filho de Vespasiano.[1]
|
[1]
Sociedade Bíblica do Brasil. (2002). Concordância
Exaustiva do Conhecimento Bíblico (Ml 4.6). Sociedade Bíblica do
Brasil.
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